domingo, 4 de Novembro de 2007

Felicidade

Para quê respirar se no fim de contas não somos nós próprios?
Ás vezes acho que devíamos abrir os fechos na parte de trás das nossas vidas, sair desses disfarces, tirar a máscara...
Cair nos braços da solidão e abraçar a dor, pois ela é a única constante...
Triste... é o que sou.
Há apenas duas formas na vida: matar o tempo rapidamente, ou matá-lo devagar...
Futuro... é o que serei.
Não anseio nada. Vive no teu mundo.. eu continuarei a morrer no meu.

A felicidade não é uma escolha.. é um dom!

Mas não conseguimos viver sem ela.... mas porquê..?

sexta-feira, 13 de Julho de 2007

O Fantasma

O fantasma olhou para o mundo e perguntou-se como seria ser sólido, ser um todo.
Tentou falar com eles, os sólidos humanos, mas eles não podiam ouvir.
Todas as palavras que ele dizia só existiam dentro dele...
Então ele esperou e pensou como conseguiria comunicar com eles.

Esperou e pensou...

Esperou um pouco mais...

Até que o pequeno fantasma estava tão exausto, tão desesperado por ser ouvido que um raio perfurou a sua barriga e da sua boca saiu um grito sem fim.


E aí sim, toda a gente ouviu, mas ninguém percebeu.

Noite

A noite vem negra porque os céus têm que chorar.
A noite vem tão calmamente com ou sem aquilo que precisamos.
Ela vem sempre.
Ela não se preocupa lá muito com aquilo que sentimos falta, ou com aquilo que procuramos.
Ela rouba-nos a luz.. luz essa que às vezes tu desejas nunca ter que voltar a ver..
Elas roubam o sol a cada dia.
E tu às vezes nem lhe sentes a falta.
Agora, adoras o pôr do sol... relembra-te o fim.
E mesmo os bons momentos que tens, esforças-te por não acreditar neles.
Qual é o lado bom de te fazeres sofrer a ti próprio?
Porque queres ser uma vítima?

Tem sido sempre assim.

Um fim sem princípio....

sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Culpa

Eu escrevo quando há muita emoção a inundar o meu coração.

Mergulho-me na amarga sinfonia de músicas tristes enquando sofro a ausência de um amor que nunca deste. Um amor que vejo em ti, mas que não consigo tocar. Um amor que sinto vir, mas que tu preferes não me confiar.

Eu não posso dizer que acabou porque sei que tal nunca vai acontecer. Essa memória. Ela é quase uma tatuagem permanente na minha carne. Uma recordação permanente no meu peito. Mesmo que velha.. Mesmo não usada e desvanecida, não consigo desfazer-me dela.

Não posso dizer "um dia". É nunca.

Há apenas a sensação da realidade a invadir a minha carne sonhadora..

Culpar-te?
Culpar-me?
Culpar quem...?
Não posso culpar ninguém para além da vida.
Este ar que continua nos meus pulmões enquanto eu resisto à morte.

Esperas o amor mesmo quando sabes que é algo que não poderás nunca receber.

Tu podes dá-lo, mas não recebê-lo.


A cera derrete, mas a chama está apagada.

Tu cantas os refrões mas esqueces as estrofes. Esqueces quem és. Talvez tudo seja um sonho, talvez sempre tenha sido.
Sim, sonhar é muito bom.. mas melhor é realizar os sonhos... Talvez eu só precise de acordar para morrer outra vez.

Morrer uma última vez para que não precise de tudo o que não posso ter.
Para que não continue à procura de um amor que ninguém tem...

quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Corações de Papel

Temos como que corações de papel. Todos escrevinhados.
A tinta é como sangue.. atravessa o papel de um lado ao outro, e deixa frases como cicatrizes.
Podes apenas rasgá-lo.
Podes apagar.
Mas mesmo assim fica sempre uma marca.
Podes dobrar o papel em diferentes formas.. dar-lhe asas..

E quando toda a folha já foi escrita?
Cheia de momentos de risos e sangue por todos os lados..?

Nem todos os corações são de papel.
Mas o meu é.
Dá-me então os teus pensamentos, para que possa marcá-los na minha folha, para que daí nunca saiam..

Desespero

Às vezes é fácil esqueceres-te de ti próprio, apenas porque desejas tanto isso que nada consegue deter-te. E são tantas as substâncias que o homem inventa para fazer isso mesmo: esquecer-se de si mesmo...
Não é surpresa nenhuma.
Quase toda a gente está sozinha.
Quase toda a gente está triste.
Só que a maioria nega.

Desespero.
É uma palavra na qual não tenho pensado profundamente desde há muito tempo. Agora está presa na minha cabeça. Desespero. Se o desespero fosse uma coisa seria um poço escuro e sujo, com algas, para te prender lá dentro.
Desespero.
Acho que é mais triste do que qualquer uma das outras palavras tristes: depressão, melancolia, angústia. São todas palavras muito sombrias, mas o desespero é diferente. Estas palavras soam muito temporárias, parecem ter um fim definitivo...

Mas o desespero...
O desespero aparenta ser interminável...

quarta-feira, 4 de Julho de 2007

Cold

Está tudo tão frio quanto as batidas do teu coração que se abrem à solidão.
Consegues contar os teus amigos pelos dedos...
O frio é tudo o que sobra depois deles te terem abandonado...
Talvez tenhas pedido isso.
Talvez os tenhas convidado a abandonarem-te.
Mas talvez o tenhas feito por não veres melhores alternativas...
Vacilas na tua vida, quando não vês o futuro e desejas ardentemente que o teu passado não existisse.
Vacilas vazio quando pensas que alguém iria querer rapidamente a tua vida, e tão rapidamente iria rejeitá-la...
Não me digas como te preocupas.
Não ofereças o teu amor, que eu nem consigo gastar.
Admite que estou sozinha.. Diz apenas que sou como que um depósito de sentimentos..
Magoada.
Sempre magoada.
Prefiro sair magoada com a verdade.
Preferia odiar-vos a todos do que a mim própria, mas não consigo...