Eu escrevo quando há muita emoção a inundar o meu coração.
Mergulho-me na amarga sinfonia de músicas tristes enquando sofro a ausência de um amor que nunca deste. Um amor que vejo em ti, mas que não consigo tocar. Um amor que sinto vir, mas que tu preferes não me confiar.
Eu não posso dizer que acabou porque sei que tal nunca vai acontecer. Essa memória. Ela é quase uma tatuagem permanente na minha carne. Uma recordação permanente no meu peito. Mesmo que velha.. Mesmo não usada e desvanecida, não consigo desfazer-me dela.
Não posso dizer "um dia". É nunca.
Há apenas a sensação da realidade a invadir a minha carne sonhadora..
Culpar-te?
Culpar-me?
Culpar quem...?
Não posso culpar ninguém para além da vida.
Este ar que continua nos meus pulmões enquanto eu resisto à morte.
Esperas o amor mesmo quando sabes que é algo que não poderás nunca receber.
Tu podes dá-lo, mas não recebê-lo.
A cera derrete, mas a chama está apagada.
Tu cantas os refrões mas esqueces as estrofes. Esqueces quem és. Talvez tudo seja um sonho, talvez sempre tenha sido.
Sim, sonhar é muito bom.. mas melhor é realizar os sonhos... Talvez eu só precise de acordar para morrer outra vez.
Morrer uma última vez para que não precise de tudo o que não posso ter.
Para que não continue à procura de um amor que ninguém tem...